Ai, quem me dera
Ai quem me dera, terminasse a espera E retornasse o canto simples e sem fim... E ouvindo o canto se chorasse tanto Que do mundo o pranto se estancasse enfim Ai quem me dera percorrer estrelas Ter nascido anjo e ver brotar a flor Ai quem me dera uma manhã feliz Ai quem me dera uma estação de amor Ah! Se as pessoas se tornassem boas E cantassem loas e tivessem paz E pelas ruas se abraçassem nuas E duas a duas fossem ser casais Ai quem me dera ao som de madrigais Ver todo mundo para sempre afins E a liberdade nunca ser demais E não haver mais solidão ruim Ai quem me dera ouvir o nunca mais Dizer que a vida vai ser sempre assim E finda a espera ouvir na primavera Alguem chamar por mim... Vinícius De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente Fez-se do amor próximo distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente.
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